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Em briga de namorado e mulher se mete a colher


O ditado popular que coloca que "em briga de marido e mulher não se mete a colher" não somente está errado, como já vitimou muitas mulheres no Brasil e no mundo. Trazendo para o contexto do pré-matrimônio, a questão é igualmente grave e também pode ser ilustrada por números. Conforme dados da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, somente no primeiro semestre deste ano foram registrados mais de 30,6 mil casos de violência contra a mulher, mais da metade deles de violência física, isso fora os milhares que não são denunciados. Outro levantamento coloca que 77% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diárias ou semanais. Sim, nesses casos, meter a colher não é somente necessário, mas um dever que pode salvar vidas, especialmente em um país que ostenta a 7ª posição mundial no ranking de violência contra a mulher.


Foi neste contexto que Sheila Murta, Carlos Eduardo Ramos, Thauana Tavares, Eudes Cangussú e Marina da Costa escreveram a obra "Libertando-se de namoros violentos - Um guia sobre o abandono de relações amorosas abusivas". Recentemente lançado pela Sinopsys Editora, a obra traz um aspecto ainda pouco estudado, já que a literatura disponível tem focado em casos matrimonias violentos. Para Sheila, quanto antes for identificado o caso, mais fácil o processo da mudança. "É preciso agir precocemente. A violência, quando prolongada, pode despertar vontades suicidas, depressão, alcoolismo, estresse pós-traumático, entre outros problemas de saúde mental", comenta. A psicóloga ressalta que, muitas pessoas, não terminam relações violentas através de uma adaptação de auto sacrifício muito ligada à baixa estima. Ela explica que a publicação tem um caráter aplicado, trazendo exercícios que permitem disparar o processo de mudança, primeiro com a observação do parceiro (a), partindo para a "preparação do terreno" até chegar à ação de término da relação.


PAPEL DA CULTURA
Sheila coloca que a cultura tem um papel preponderante na tolerância com os casos de violência em relacionamentos, violência que não é somente física, mas também psicológica. Segundo ela, são aspectos trazidos pela sociedade que acabam por endossar a violência. "Existe o ditado popular de que em briga de marido e mulher não se mete a colher, a noção de que o ciúme é algo normal, as perspectivas sexistas presentes na TV e na música, entre outros aspectos culturais que acabam prejudicando o combate à violência", lista a profissional.

A psicóloga ressalta que o livro é baseado na pesquisa "Fatores de risco e proteção para a violência no namoro", realizada no âmbito da Universidade de Brasília (UNB) com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "No estudo, fizemos levantamento com pessoas que estavam vivendo namoros violentos e encontramos todas as fases descritas na publicação. Percebemos pessoas que se adaptavam à situação, com auto sacrifício ou vitimização, sempre com tolerância à violência. Muitos dos entrevistados achavam que era normal, pois cresceram em famílias que tinham esse tipo de relacionamento", conta Sheila, destacando a importância da quebra do paradigma da violência antes do matrimônio justamente para não se correr o risco de passar a mensagem errado aos herdeiros do casal.



DADOS TÉCNICOS

Livro: Libertando-se de namoros violentos. Um Guia sobre o abandono

Autores: Sheila Giardini Murta, Carlos Eduardo Paes Landim Ramos, Thauana Nayara Gomes Tavares, Eudes Diógenes Cangussú e Marina Silva Ferreira da Costa

Sinopsys Editora - 2014

80 páginas - R$ 26,00


Veja mais no link:

http://www.sinopsyseditora.com.br/livros/libertando-se-de-namoros-violentos-um-guia-sobre-o-abandono-de-relacoes-amorosas-abusivas-213