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Diferença de valores pode gerar distanciamento entre a mãe e filho na vida adulta

Há uma forte ligação entre mães e crianças que, quando cortada, é frequentemente o resultado de uma diferença de valores. Essa é a conclusão de um novo estudo publicado on-line no Journal of Marriage and Family. Megan Gilligan, principal autora e professora assistente de desenvolvimento familiar e estudos em seres humanos da Universidade Estadual de Iowa, diz que o estranhamento entre mãe e o filho adulto é mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Gilligan e os colegas J. Jill Suitor, da Universidade Purdue, e Karl Pillemer, da Universidade de Cornell, encontraram um filho distante em cada 10 famílias. "Fiquei surpresa que não foi um grande evento ou algum ato possivelmente ilegal que a criança tenha cometido. Você pode esperar que se a criança possui algum tipo de problema legal de que as mães possam se envergonhar, isto poderia levar ao afastamento", disse Gilligan . "Em vez disso, encontramos mães que ficaram apreensivas sobre outros problemas relacionados aos seus valores e crenças."

O estudo analisou dois fatores - as diferenças de valores, conforme relatadas pela mãe, e as violações de normas sociais - para entender como cada estranhamento é previsto. Violações incluíram álcool e abuso de substâncias ou comportamentos criminosos, mas não graves crimes violentos, como estupro ou assassinato. Embora a diferença de valores entre mães e filhos tenha sido um preditor forte, violações da norma social não aumentaram o risco de estranhamento.

Os investigadores definiram estranhamento com as mães que não tiveram contato com seu filho (38,2%) e mães que tinham muito pouco contato com seu filho, com suas relações descritas como muito emocionalmente distantes (61,8%). Os dados utilizados foram coletados como parte das diferenças dentro da família do estudo, um projeto financiado pelo Instituto Nacional sobre Envelhecimento e com base na Universidade de Purdue. No total, 566 famílias atenderam aos critérios de investigação - mães entre 65 e 75 anos de idade, com pelo menos dois filhos adultos vivos -, 64 famílias foram descartadas no estudo.

Em seu estudo, os pesquisadores incluíram narrativas de entrevistas com as mães que descrevem como seu filho ou filha perderam sua confiança ou quebraram expectativas relacionadas a seus valores. Por exemplo, uma mãe de 75 anos de idade, uma católica devota, explicou como o divórcio de um filho e um novo casamento subsequente levaram a muito menos contato e apoio. Aqui está parte de sua narrativa:

"É uma situação difícil. Agora ele se casou novamente e fez uma nova família. Por isso é doloroso para mim julgar, mas eu tenho a religião no meu caminho e minhas próprias ideias morais e sociais."

Através de entrevista, os pesquisadores descobriram que outros dois filhos da mulher haviam sido presos por dirigir embriagados e tinham um histórico de abuso de substâncias. No entanto, ela não se sentiu especialmente ofendida por estes problemas. Na verdade, considerava um filho com registro de prisão como "sua história de sucesso", porque ele é casado.

O estudo é baseado na perspectiva da mãe, mas os pesquisadores podiam, muitas vezes, verificar a natureza do relacionamento distante através de entrevistas com outros irmãos e, em alguns casos, o filho distante. Gilligan está interessada em explorar em pesquisas futuras como os filhos descreveriam o que levou ao seu afastamento. "As mães estão chateadas com esses eventos, mas eu não acho que sejam sempre elas que interrompem o relacionamento", disse Gilligan. "Em alguns casos a mãe pode ficar chateada e expressar suas opiniões, mas o filho pode se afastar em reação às críticas da mãe."

Gilligan acredita que este trabalho tem implicações práticas, porque sugere que o estranhamento entre gerações é uma experiência mais comum. "Profissionais que trabalham com as famílias devem prestar atenção e valorizar a ausência de conexões nos valores entre mães e crianças, porque essas diferenças de valor parecem ter graves consequências a longo prazo", disse ela.

 

Fonte: Universidade do Estado de Iowa. (2015, 19 de maio). Estrangement likely when adult child does not share mother`s values. ScienceDaily. Acessado 25 de maio de 2015 a partir de www.sciencedaily.com/releases/2015/05/150519083301.htm