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Novas perspectivas de regulação emocional em crianças vítimas de trauma

As crianças que foram abusadas ou expostas a outros tipos de trauma geralmente experimentam emoções mais intensas do que seus pares, um subproduto de viver em ambientes perigosos, voláteis. A Universidade de Washington liderou equipe de pesquisadores que se propôs a estudar o que acontece no cérebro de adolescentes vítimas de maus-tratos quando eles veem imagens com carga emocional, tentando em seguida controlar suas respostas a elas. Os pesquisadores descobriram que, com um pouco de orientação, crianças maltratadas têm uma capacidade surpreendente de regular as emoções.
"Eles foram igualmente capazes de modular suas respostas emocionais quando lhes foram ensinadas estratégias para fazê-lo", disse Kate McLaughlin, professora assistente de psicologia e principal autora do estudo. "Isso é muito encorajador." As dificuldades de regular emoções estão ligadas ao aparecimento de transtornos mentais entre crianças maltratadas. Investigação anterior centrou-se sobre a forma como os cérebros dessas crianças respondem espontaneamente às emoções faciais negativas, mas o novo estudo, publicado em 20 de agosto no Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, é pensado para ser o primeiro a verificar os impactos de maus-tratos em regiões do cérebro envolvidas no controle da emoção. O estudo envolveu 42 meninos e meninas entre 13 a 19 anos de idade, metade dos quais havia sido fisicamente e/ou sexualmente abusada. Usando imagens de ressonância magnética, os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral dos adolescentes enquanto era exibida uma série de fotografias.
Aos adolescentes foram mostrados primeiro imagens neutras, depois positivas e negativas, e estes foram orientados a deixar fluir suas emoções naturalmente. As imagens neutras destacavam cenas ou objetos ao ar livre, como uma xícara de café ou um par de óculos, enquanto as imagens positivas e negativas representavam cenários mostrando pessoas com diferentes expressões faciais - uma família sorridente envolvida em uma atividade divertida, por exemplo, ou duas pessoas discutindo. O exercício foi destinado a modelar situações emocionais do mundo real, disse McLaughlin.
"Quanto você reage quando algo emocional acontece? Algumas pessoas têm realmente fortes reações emocionais. Algumas pessoas têm respostas mais silenciadas", disse McLaughlin, diretora do UW Estresse & Laboratório de Desenvolvimento. "A questão é, será que vemos diferenças no cérebro em termos de como ele responde à informação emocional em crianças que foram maltratadas?"
A resposta é sim, concluíram os pesquisadores. As imagens positivas geraram pouca diferença na atividade cerebral entre os dois grupos. Mas quando se olha para as imagens negativas, os adolescentes vítimas de maus-tratos tinham mais atividade nas regiões do cérebro envolvidas na identificação de potenciais ameaças - incluindo a amígdala, que desempenha um papel fundamental no processamento de emoções e aprendizado sobre as ameaças ambientais -, mais do que o grupo controle. Isso faz sentido, disse McLaughlin, uma vez que em um ambiente cronicamente perigoso o cérebro está em alerta elevado, constantemente à procura de potenciais ameaças.
Em um segundo exercício, foram mostradas aos participantes mais fotos, com a orientação de tentarem aumentar suas respostas emocionais para as imagens positivas, utilizando técnicas previamente ensinadas. As crianças foram apresentadas à reavaliação cognitiva, uma estratégia que envolve pensar diferentemente sobre uma situação para alterar a resposta emocional a ela.
Os participantes pensavam sobre as imagens negativas de forma psicologicamente mais distante - por exemplo, pensando que as pessoas nas fotos eram estrangeiras ou que a cena não estava realmente acontecendo. Para os sinais positivos, eles pensavam sobre as imagens de uma forma mais realista, como imaginar que eles eram parte da cena feliz ou que as imagens envolviam pessoas que conheciam.
Mais uma vez, os dois grupos foram semelhantes em suas respostas cerebrais às imagens positivas. Mas as fotos negativas, nos adolescentes vítimas de maus- tratos, tiveram maior ativação emocional em regiões do córtex pré-frontal que tendem a conter o processamento emocional. O córtex pré-frontal está envolvido na cognição da mais alta ordem e integra informações de outras áreas do cérebro para controlar efetivamente emoções e comportamentos e orientar a tomada de decisão.
Embora fosse mais difícil para eles, os adolescentes vítimas de maus-tratos foram capazes de modular a atividade na amígdala tão bem quanto os participantes sem história de maus-tratos. Isso sugere que, dadas as ferramentas certas, as crianças maltratadas podem ser capazes de controlar suas respostas emocionais para situações do mundo real.
Isso também tem implicações para tratamentos promissores, McLaughlin disse, uma vez que as estratégias utilizadas no estudo são semelhantes às utilizadas na terapia do trauma. Há uma suposição comum de que crianças vítimas de abuso ou trauma terão emoções problemáticas, disse McLaughlin - respostas suaves para situações positivas e reações extremas para as negativas. Mas os resultados do estudo sugerem que crianças maltratadas são, talvez, mais resilientes e adaptáveis do que se pensava anteriormente.
"Parece que elas são capazes de lidar de forma eficaz, mesmo em situações emocionais muito estimulantes, se forem ensinadas estratégias para tanto", disse ela. "Achamos que os resultados são realmente promissores."

FONTE: Universidade de Washington. (2015, 20 de agosto). Maltreated children`s brains show `encouraging` ability to regulate emotions. Science Daily. Acessado 26 agosto de 2015 em www.sciencedaily.com/releases/2015/08/150820144910.htm