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Transtornos do desenvolvimento sexual afetam a mente, bem como corpo

Enquanto pode não ser uma surpresa saber que as crianças nascidas com distúrbios do desenvolvimento sexual (DDS) enfrentam desafios, pesquisadores da Universidade de Concordia, no Canadá, confirmaram que estes desafios vão muito além do físico. Em um artigo publicado na revista Hormone and Metabolic Research, o professor de psicologia William M. Bukowski e seus coautores Elizabeth McCauley e Thomas Mazur examinaram os efeitos potenciais que esses distúrbios podem ter sobre relacionamentos das crianças e dos adolescentes com seus pares.
O termo "desordens do desenvolvimento sexual" engloba uma gama de condições, de malformações físicas dos órgãos genitais a condições hormonais como a síndrome de completa insensibilidade andrógina, o que resulta em um corpo feminino, mas fisicamente uma composição cromossômica XY.
Com base em uma revisão de estudos existentes que exploram o ajustamento em indivíduos com DDS, o estudo da Hormone and Metabolic Research inicialmente considera a importância das relações entre pares de elementos como a socialização, o autoconceito e a confiança. O estudo passa então a examinar as maneiras pelas quais os indivíduos com DDS são colocados em desvantagem, porque suas diferenças físicas os fazem se sentir separados de seus pares.
"Se você não é como as outras pessoas, então a probabilidade de formar relacionamentos positivos é menor", diz Bukowski. Então, o que pode ser feito para aumentar as chances de que estas crianças tenham as mesmas experiências sociais como seus iguais?
Bukowski diz que um passo positivo seria sensibilizar o público para a natureza diversa do corpo físico, incluindo genitália. "Para alguém que diz `Eu não sou como as outras pessoas’ - ninguém é como as outras pessoas. Há uma enorme variabilidade. Eu acho que isso é algo que os jovens deveriam estar mais conscientes."
Outro passo positivo seria a prestação de apoio prático e de mecanismos de enfrentamento para os indivíduos DDS que estejam aflitos. "Por exemplo, ter locais em vestiários onde eles podem se vestir de forma privada", diz Bukowski. "Muitas escolas têm feito isso, mas não todas."
A criação de grupos de apoio onde as pessoas com DDS podem compartilhar informações e conhecer umas às outras é também um movimento positivo - algo que, segundo Bukowski, está cada vez mais frequente e eficaz através da utilização de meios de comunicação social.
Nesse estudo, Bukowski e seus colegas concluíram que há também muita pesquisa acadêmica a ser feita nesta área. Eles sugerem possíveis direções de pesquisa, incluindo um estudo de longo prazo que acompanharia pessoas com DDS ao longo de vários anos, e uma investigação mais aprofundada sobre os fatores que ajudam a promover sentimentos de similaridade, apesar das diferenças físicas.
Bukowski também espera que uma conferência interdisciplinar sobre o tema, a ser realizada em Concordia neste outono, ajude a gerar resultados importantes. 

Fonte: Concordia University. " Sex development disorders affect mind as well as body " ScienceDaily. Science Daily, 13 de agosto de 2015. .