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Adolescentes com bulimia se recuperam mais rapidamente quando os pais estão incluídos no tratamento

Envolver os pais no tratamento de adolescentes com bulimia nervosa é mais efetivo do que tratar o paciente individualmente, de acordo com um estudo liderado pelos doutores Daniel Le Grange, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), e James Lock, professor de Psiquiatria em Stanford. O estudo é o terceiro e agora maior teste clínico aleatório com adolescentes com bulimia nervosa. Os achados contrastam com o enfoque clínico tradicional, que exclui os pais do tratamento e aconselhamento. 
"Os pais precisam estar ativamente envolvidos no tratamento de crianças e adolescentes com transtornos alimentares", disse Le Grange. "Este estudo mostra definitivamente que o envolvimento dos pais é fundamental para um resultado bem- sucedido junto aos adolescentes com bulimia nervosa. Ele vai contra o treinamento que os médicos recebem em psiquiatria, que ensina que os pais são os culpados pela bulimia, e, portanto, devem ser omitidos do tratamento". O trabalho será publicado na edição de novembro do Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry.
Bulimia é caracterizada por episódios recorrentes de excessos alimentares descontrolados, chamados de episódios de compulsão. Estes episódios de compulsão são seguidos de comportamentos compensatórios destinados a prevenir o ganho de peso, como vômitos autoinduzidos, laxante ou abuso de diuréticos, jejum ou intenso exercício.
Entre um e três por cento dos adolescentes sofrem da condição a cada ano nos Estados Unidos. Como a natureza da bulimia é tão secreta e a maioria dos adolescentes bulímicos permanece em um peso saudável, muitos adolescentes vivem com a doença por anos antes de seus pais reconhecerem os sinais.
O estudo comparou dois tratamentos, terapia cognitiva comportamental (TCC) e terapia de base familiar (FBT). A TCC enfoca o paciente individual, sublinhando o treinamento de habilidades que ajudam os pacientes a obterem uma compreensão completa de si mesmos, bem como os pensamentos irracionais que estão causando os episódios de compulsão alimentar e o comportamento de purga. Ao reconhecer e confrontar estes pensamentos irracionais, eles podem mudar seu comportamento. A FBT funciona com os pais no entendimento da gravidade da doença e no aprendizado da melhor forma de apoiar os filhos em uma base diária segura, assim como no apoio a hábitos saudáveis.
No estudo, que teve lugar na Universidade de Chicago (quando Le Grange lecionava lá) e na Universidade de Stanford, os pesquisadores distribuíram aleatoriamente 130 adolescentes com idade entre 12 a 18 anos com bulimia nervosa, que receberam TCC ou FBT. O tratamento incluiu 18 sessões durante seis meses, com acompanhamento entre seis e 12 meses.
Os participantes na terapia de base familiar alcançaram maiores taxas de abstinência de compulsão e purga do que os pacientes em TCC individual. No final do tratamento inicial, 39% dos pacientes em FBT obtiveram abstenção de compulsão e purga contra 20% dos pacientes de TCC, e no retorno de seis meses de seguimento 44% dos pacientes de FBT não retornaram ao comportamento de compulsão e purgação, contra 25% dos pacientes em TCC. Em 12 meses, o FBT foi clinicamente superior à TCC, com as taxas de abstinência em 49% em FBT versus 32% em TCC.
"Estes resultados são muito claros", disse Le Grange. "FBT é o tratamento de escolha para adolescentes com bulimia nervosa, porque ele trabalha mais rápido e mantém o seu impacto ao longo do tempo. A TCC poderia ser uma alternativa útil se FBT não estiver disponível, mas deve-se levar em conta seu funcionamento mais lento."

FONTE: University of California, San Francisco (UCSF). (2015, 18 de setembro). Teens with bulimia recover faster when parents are included in treatment. Science Daily. Acessado 18 de setembro, 2015 a partir de www.sciencedaily.com/releases/2015/09/150918085539.htm