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Novo estudo mostra a importância da ajuda para as vítimas de abuso sexual na infância

Enquanto o abuso sexual de crianças é atualmente um problema na vanguarda da vida pública, a preocupação centrou-se na proteção das crianças e na identificação dos infratores. No entanto, um novo estudo, realizado pelas Universidades de Bristol e Durham, espera centrar novamente a atenção sobre o que pode ser feito para ajudar as vítimas de abuso sexual na infância.

O estudo avaliou a aplicação do Letting the Future In, um programa concebido pelo National Society for the Prevention of Cruelty to Children (NSPCC), em que profissionais de serviço social prestam apoio terapêutico para crianças de 4 a 17 anos que sofreram abuso sexual.

Letting the Future In concentra-se em terapias criativas, como pintura, desenho e narrativa, dando às crianças a oportunidade de falarem sobre as suas experiências de abuso e de se expressarem criativamente. As sessões individuais permitem que as crianças trabalhem de forma segura através de experiências passadas, e cheguem a compreender e seguir em frente com o que aconteceu. Para os pais ou cuidadores da criança também são oferecidas sessões individuais, bem como sessões conjuntas com sua criança.

O principal autor do estudo, John Carpenter, professor de Serviço Social e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Bristol, disse: "O abuso sexual infantil é um problema internacional, de proporções surpreendentes. No Reino Unido, uma em cada 20 crianças foram abusadas sexualmente, e os seus efeitos na infância e na idade adulta incluem ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, comportamentos sexuais problemáticos e suicídio", explica Carpenter.

Abordagens terapêuticas baseadas em evidências são vitais para ajudar todas as crianças a lidarem com os efeitos do abuso sexual. Essa avaliação do "mundo real" - o maior ensaio clínico aleatório no mundo para uma intervenção de abuso sexual - é uma contribuição significativa para a base de evidências, fornecendo pontos de referência para que os outros possam avaliar as intervenções.

Carpenter acrescenta que "Essencialmente, ele também demonstra a importância de oferecer suporte terapêutico para as crianças e jovens que foram abusadas sexualmente, para ajudá-los a lidar com a sua experiência."

O estudo mostrou evidências promissoras sobre o que funciona para ajudar a criança a recuperar-se do trauma de ter sido abusada sexualmente.

Para as crianças com idades a partir de oito anos, a proporção que recebe a intervenção que experimentaram os mais altos níveis de trauma caiu de 73%, no início do programa para 46% depois de seis meses.

Mesmo tendo em conta quem não se envolveu na intervenção, ou que desistiram cedo, a redução foi de 68% para 51%.

Não houve variação estatisticamente significativa para o grupo controle de lista de espera em qualquer análise, então as melhorias podem ser atribuídas ao recebimento do Letting the Future In.

Para crianças com menos de oito que completaram o programa, houve pouca mudança seis meses após o início do Letting the Future In. No entanto, para as crianças que permaneceram no serviço, após um ano, os mais altos níveis de trauma (clínicos ou dificuldades significativas) caíram para 40%, de 89% no início - uma mudança que está se aproximando de significância estatística. Isto pode ser devido à intervenção ter levado mais tempo para fazer efeito em crianças mais jovens, ou porque os cuidadores levaram mais tempo para reconhecer melhorias.

Simon Hackett, Professor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Durham e coautor do estudo, disse: "A preocupação centrou-se na proteção das crianças e na identificação dos autores, mas precisamos de uma maior compreensão de como as crianças afetadas por abuso sexual podem ser ajudadas. Este estudo envia uma mensagem importante para as crianças e famílias afetadas pelo abuso sexual. Com a ajuda e o apoio certos, é possível recuperar-se e seguir em frente após o abuso. "

Jon Brown, Chefe de Desenvolvimento e Impacto da NSPCC disse: "Estes resultados fornecem indicações promissoras que o programa de intervenção Letting the Future In pode reduzir significativamente os níveis mais altos de trauma experimentados por crianças que foram abusadas sexualmente. Sabemos que os profissionais dizem que o apoio para as crianças depois do abuso é `inadequado’. Este estudo mostra o trabalho terapêutico pode ser feito por uma maior gama de profissionais, incluindo assistentes sociais, que recebem treinamento adicional em trabalho terapêutico - como no caso do Letting the Future In."

Os pais e cuidadores entrevistados pela equipe de investigação foram unânimes em pensar que a intervenção resultou em mudanças positivas. Em seus filhos, os pais identificaram melhora do humor, confiança e menos afastamento, uma redução de culpa e auto-responsabilização, redução na depressão, ansiedade e raiva, melhores padrões de sono e uma melhor compreensão do comportamento sexual apropriado. Uma mãe disse: "Eu recuperei meu filho."

O NSPCC está revendo o modelo do Letting the Future In com base nos resultados da avaliação, particularmente para fornecer suporte adicional para as crianças mais velhas e mais jovens para sustentar o efeito da intervenção. Também está sendo testada uma versão adaptada para crianças com dificuldades de aprendizagem.

 

Palavras-chave: crianças, vítimas, abuso sexual, programa de intervenção, pais, Lettingthe Future In.

Fonte:

University of Bristol. "Significant new study shows importance of help for childhood sexual abuse victims." Science Daily. Science Daily, 22 February 2016. <www.sciencedaily.com/releases/2016/02/160222111050.htm>.